segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sessão de Dexter

A E. tem estado a passar-me a minha série preferida: Dexter. Para quem não sabe é sobre um tipo que mata gentinha com queda para requintes de malvadez, e embora a série seja mais complexa do que isto, esta redução básica  permite-me chegar mais directamente ao sentimento que todas as séries querem no fundo, bem lá no fundo despertar em nós e que é aquele sentimento de conforto, de quentinho seguro, que afinal está tudo bem porque há um Dexter que ali naquela hora e meia acaba com a sacanagem da cidade de Miami. Isto, enquanto torcemos ardentemente para que ele não seja apanhado e condenado a life-sentence por fazer tão bem o seu trabalho, e que como já disse é chacinar pessoas com uma serra eléctrica.
Eu sei que soa mal, mas acreditem que o Dexter está para Miami como eu estou para a minha casa quando acabo aquela faxina sazonal. O momento de estender os pézinhos sobre a mesa, olhar em volta e ver tudo reluzente, em ordem, perfeito e a cheirar a limpo é uma sensação igual a tirar mais um vigarista traficante de orgãos das ruas quentes de Miami Beach ou outro político corrupto que nos tempos livres frequenta bares de alterne e suborna árbitros de futebol da terceira divisão (tudo realidades muito americanas, claro).
Assim é o Dexter, uma dona de casa voluntariosa e aprumada, com brio no que faz e sentido de dever para aqueles para quem trabalha.
E é nestes tempos de mudança, onde ninguém sabe bem onde pisa, mas que sabe que está ser pisado - para não dizer, comprimido, como aqueles carros que vão para o abate - sempre que vejo o Dexter penso que do que este país precisa é de uma boa faxina...ou será antes de um facínora?

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